
Escravidão
Laurentino Gomes
2019 · 2 edições no catálogo
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Na tarde em que o príncipe dom Pedro chegou às margens do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822, o Brasil estava empanturrado de escravidão. Comprar e vender gente era o maior negócio do novo país independente. Homens e mulheres escravizados perfaziam mais de um terço do total de habitantes, estimado em 4,7 milhões de pessoas. Outro terço era composto por negros forros e mestiços de origem africana – uma população pobre, analfabeta e carente de tudo, dominada pela minoria branca. Os indígenas, já dizimados por guerras, doenças e invasão de seus territórios, sequer apareciam nas estatísticas. O Brasil seria o último país da América a acabar com a escravidão, pela chamada Lei Áurea de 1888, quase sete décadas após o Grito do Ipiranga. A “segunda abolição”, preconizada pelos abolicionistas, jamais aconteceu. O país nunca se tornou uma “democracia rural”, mediante a redistribuição de terras do latifúndio improdutivo. Jamais promoveu negros e mestiços à condição de cidadãos plenos, com osmesmos direitos assegurados aos demais brasileiros. Sem acesso à educação, moradia, saúde, renda e condições dignas de vida, a população afrodescendente brasileira foi abandonada à própria sorte, marginalizada, explorada sob formas disfarçadas de trabalho forçado e mal remunerado. Era assim em 1822. E assim permanece ainda hoje, dois séculos após a Independência.
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Na tarde em que o príncipe dom Pedro chegou às margens do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822, o Brasil estava empanturrado de escravidão. Comprar e vender gente era o maior negócio do novo país independente. Homens e mulheres escravizados perfaziam mais de um terço do total de habitantes, estimado em 4,7 milhões de pessoas. Outro terço era composto por negros forros e mestiços de origem africana – uma população pobre, analfabeta e carente de tudo, dominada pela minoria branca. Os indígenas, já dizimados por guerras, doenças e invasão de seus territórios, sequer apareciam nas estatísticas. O Brasil seria o último país da América a acabar com a escravidão, pela chamada Lei Áurea de 1888, quase sete décadas após o Grito do Ipiranga. A “segunda abolição”, preconizada pelos abolicionistas, jamais aconteceu. O país nunca se tornou uma “democracia rural”, mediante a redistribuição de terras do latifúndio improdutivo. Jamais promoveu negros e mestiços à condição de cidadãos plenos, com osmesmos direitos assegurados aos demais brasileiros. Sem acesso à educação, moradia, saúde, renda e condições dignas de vida, a população afrodescendente brasileira foi abandonada à própria sorte, marginalizada, explorada sob formas disfarçadas de trabalho forçado e mal remunerado. Era assim em 1822. E assim permanece ainda hoje, dois séculos após a Independência.
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